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“Poder-se-ia acolher o Antropoceno sem ceder ao discurso dominante dos antropocenólogos?”: esta é a questão que Christophe Bonneuil e Jean-Baptiste Fressoz (2013, p. 109) colocam em L’Événement Anthropocène, um livro que utiliza a ideia de Antropoceno contra seu uso dominante. Este uso considera a Humanidade como um único sujeito atrelado à Terra, objeto igualmente unificado. A consagração de tal visão do mundo conduz diretamente aos projetos de “otimização” do clima, descritos por Clive Hamilton em Les apprentis sorciers du climat (2013), em que a geoengenharia é a continuação (tecno)lógica do Antropoceno.

O objetivo deste artigo é a demarcação da componente construtivista do “discurso dominante” que, de Bruno Latour à geoengenharia, conduz à justificação do Antropoceno e das delícias do desenvolvimento tecnológico desenfreado. Chamo degeoconstrutivismo a política global que gerou as mudanças climáticas, as soluções tecnológicas que são propostas para regulá-las, e o discurso geral que sustenta tal política e tais soluções. O geoconstrutivismo parece não estar vendo que a Terra, como escreve Clive Hamilton (2013, p. 37), é um “bicho pouco cooperativo”, que não reagirá como desejado às manipulações da atmosfera[2]. Contudo, chegou a hora de recusar a geoengenharia? Ou estamos condenados a seguir o desenvolvimento do Antropoceno até a eventualidade de seu fim prematuro?

http://climacom.mudancasclimaticas.net/?p=3867

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